Ilha dos Lençóis a Korou – Guiana Francesa, da perda do motor à pirataria!

Chegamos dia 20/12, acabados após uma travessia de 5 dias, muito tensa desde Ilha dos Lençóis. Tivemos muitas avarias, no momento de levantar âncora um de nossos motores quebrou, fez um barulho sinistro de ferro com ferro quebrando, ou seja sem condições do Peter conseguir consertá-lo. “Bom, não há problemas, temos um veleiro, usamos as velas e pronto chegamos a Korou, ficamos com manobra um pouco restrita no momento da ancoragem mas a gente da um jeito.’’ Disse o Comandante. 5 minutos depois ligamos os eletrônicos e percebemos que nosso GPS não está funcionando também, PQP que “zica” é essa! Pois chegando a Ilha dos Lençóis nosso medidor de profundidade também deu pau, agora era a vez do GPS e do motor, conversamos com o Carapitanga nossos amigos que estavam zarpando juntamente conosco, decidimos ir, tentaríamos velejar próximo a eles para obtermos as informações de previsão do tempo e qualquer outra relevante, pelo rádio. Adotamos o Navionics do nosso celular, como Ploter. Não sabíamos utilizar muito bem pois tínhamos acabado de instalar. Nada que a necessidade não ensine. Partimos de Ilha dos Lençóis nós e o Carapitanga, no primeiro dia de navegada tivemos problema com nosso controlador das baterias, deu um curto nele e queimou, trabalho para o Comandante consertou e tudo funcionando outra vez. Quando na madrugada ligamos nosso segundo motor que estava vivo e BEM vivo, sinto um cheiro de queimado, Peter desceu para ver e algo estava queimando, fumaça muito forte por todo o barco. Era a vez do alternador dar problemas, no dia seguinte na luz do dia Peter conseguiu consertar também, retirou o alternador do motor que estava quebrado e colocou nesse, pronto tudo certo agora! Quase!rsrsr O alternador(pega a energia que os motores produzem e manda para as baterias), não estava carregando nossas baterias, então racionando energia dia e noite, pois temos somente as placas solares para mandarem energia para o barco. No final desse dia tivemos um contato no Radio, VHF um barco perguntando se estava tudo ok! A pessoa falava muito rápido, era brasileiro, não respondemos, pois achamos estranho, olhamos para fora e vimos duas embarcações pesqueiras grandes vindo em nossa direção, uma a bombordo e outra a boreste, aproximadamente 1 ou 2 milhas de nós. Andamos, andamos, por um bom tempo eles ali, colocamos o barco pra andar mais e estávamos andando a uns 11kts, eu peguei minha câmera que possui um bom zoom; vi que um deles deu bordo e voltou, logo em seguida o outro também. Achamos realmente que isso se tratava de pirataria, como não conseguiram se aproximar, desistiram. Infelizmente isso esta muito comum no Extremo Norte do Brasil. Nós fomos avisamos pelo Veleiro Amarsemfim que eles ouviram pelo radio, eles conversando entre eles: “Naquele veleiro tem um rapaz e uma moça, pego a menina e faço oque com ele, joga no mar! Foi a resposta”. Portando saímos de Natal já bem receosos. Mais tarde ao chegarmos na Guiana, nossos amigos do Carapitanga, nos relataram o truma que sofreram, foram perseguidos por 7 hs, desse mesmo dia. Leiam o relato no blog carapitanga.com Mais um casal de Sul-africanos, outro casal do Veleiro Piatã. Ou seja, que vier do Brasil para o Caribe, tente vir o mais afastado da costa, nós estávamos a 150 milhas e mesmo assim, quase tivemos problemas, o Carapitanga veio um pouco mais pra dentro próximo das 80 milhas e teve que correr e muito. Muito triste pensar que nosso país está cada vez mais perigoso, em terra e no mar. Bom, seguimos o relato da travessia. E assim fizemos 4 dias da travessia, fora os ocorridos a tripulação seguiu bem animada, muitos golfinhos saltitando ao redor do barco e pores do sol indescritíveis, cada dia um mais lindo que o outro, o mar na maioria dos dias entre 2 metros, alguns pirajás (vento muito forte, geralmente seguido de chuva, ou até mesmo antes dela.) Chegamos ao 5 e último dia de travessia, ansiosos para a chegada, pois afinal 5 dias em alto mar cansa e muito, com criança a bordo, os turnos são contínuos, ou estamos de turno no barco, ou de turno com o Arthur, por mais comportado que ele seja, precisa de atenção, brincadeiras, comida e muito mais! Era, por volta das 22:00hs do dia 19/12/2015, o tempo estava péssimo, acho que na Guiana Francesa é a fábrica de pirajas, nunca vi um lugar com tantos, um atrás do outro. Nos aproximamos do Canal e o Peter decidiu abortar a entrada, como não tinhamos profundimetro, só um motor e a noite. Decidimos ficar boiando em alto mar até o dia amanhecer, mas como no mar nada é assim, simples como vc pensa que vai ser! Estraga nosso segundo GPS da travessia, o celular do Peter que estávamos usando de Gps, simplesmente pifou, não ligava nem por reza. Agora estava “ótimo”, sem GPS nenhum, sem medidor de profundidade, sem 1 dos motores, e muita chuva, muito pirajá...essa travessia estava completa. L Passamos a noite em claro, sem dormir com medo que barco fosse pra muito próximo da costa. Mas graças a Deus deu tudo certo, o dia amanheceu e estávamos a umas 20 milhas da costa, bem seguros. Quando vc acha que nada mais pode dar errado, mais uma coisa! Segundo motor não liga, kkkk! Rir pra não chorar de nervos! Fico eu ali no leme e Peter se enfia lá dentro do casulo do motor por 1:00hs e resolve mais uma vez! Amém. Seguimos e por fim entramos no Canal que é difícil, pois tem pedras que ficam bem próximas dele, porém são bem sinalizadas. Mas pensando que tanta coisa nos aconteceu nessa travessia, só estaríamos tranquilos, ancorados e bem ancorados. Enfim, chegamos ao nosso primeiro Porto estrangeiro Guiana Francesa! Próximo post falaremos Guiana Francesa!!! Au revoir...


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